Dudu Kabrunko e a vida dedicada ao rock

Entrevista

Dudu Kabrunko e a vida dedicada ao rock

Dudu Kabrunko relembra a influência do rock de Brasília, histórias ao lado de grandes músicos e os sonhos que ainda o movem.

por Pedro Silva📷Adriana Lima01 de junho de 2026

Diretamente de Brasília (DF), a Kabrunko Rock traz uma sonoridade que mistura a energia do punk e rock alternativo. À frente do projeto está Dudu Kabrunko, compositor responsável tanto pelas músicas quanto pelas letras, além de ser um baterista experiente, conhecido por sua atuação na cena musical da capital federal e por apresentações em diversas casas de shows pelo país, incluindo São Paulo.

Além do trabalho na Kabrunko Rock, Dudu também integra a banda Amanita Muscaria, acumulando uma trajetória construída ao lado de importantes músicos do rock brasileiro.

Suas composições costumam abordar temas como amizade, superação, vivências pessoais e as marcas deixadas pelo tempo. Um exemplo é a canção "Amigo da Sorte", que celebra a lealdade e os laços construídos ao longo da vida, transformando experiências reais em versos carregados de emoção e identificação.

Nesta entrevista, conversamos com Dudu Kabrunko sobre sua trajetória, influências, processo criativo e os próximos passos da Kabrunko Rock.

Brasília sempre foi um celeiro do rock nacional. De que forma a cidade influenciou sua identidade musical?

Quando comecei a ouvir rock nos anos 80, Brasília ainda era uma promessa! Tinha seus 20 e poucos anos de inauguração e poucas coisas para fazer, a não ser tocar um instrumento ou praticar esportes. As vias grandes, os espaços abertos, muita natureza do cerrado, pouca infraestrutura de transporte e, somados à adolescência de um jovem cheio de ideias, deram no que deu!

Escutando os sucessos da Plebe Rude, as críticas sociais da Legião Urbana e as melodias do Capital Inicial, fui moldando minha personalidade como cidadão e, aos poucos, abrindo a criatividade, fazendo novos amigos e frequentando shows e eventos de música.

Você compõe tanto as músicas quanto as letras. O que costuma surgir primeiro: a melodia ou a história que deseja contar?

Geralmente vem a harmonia criada no violão, uma ideia, uma passagem em forma de riff, uma identidade musical oriunda de algum lampejo, lembrança ou influência de bandas conhecidas. Mas não é uma regra, pois também já criei em cima de um tema ou ideia de algum compositor parceiro, complementando a canção!

A música "Amigo da Sorte" fala sobre amizade e lealdade. Em um mundo cada vez mais conectado digitalmente, você acredita que amizades verdadeiras se tornaram mais raras?

Amigo é uma palavra muito forte! Quase familiar! Para se ter ou ser um amigo, na minha opinião, não precisa necessariamente estar perto ou ter uma proximidade física!

Antigamente, tínhamos as ligações telefônicas, os extintos orelhões espalhados pelas cidades, o fax, o telegrama, formas de comunicação antigas, mas que, de alguma forma, faziam com que nos comunicássemos, conhecêssemos pessoas e ficássemos próximos uns dos outros.

Hoje, com a tecnologia a um clique, celulares e tablets, ficou mais fácil ainda essa troca de informação e proximidade.

Para mim, o amigo pode ser aquele que você conheceu na infância e de quem ainda guarda aquela lembrança, ou o colega de quarto que viajou para um intercâmbio e ficou 10 anos afastado, mas que, quando voltou, parece que a conversa que não terminou ainda há de ter seu desfecho.

Uma reconciliação, um pedido de desculpas, um agradecimento ou um elogio. Tudo é amizade.

Você já dividiu momentos com grandes músicos, incluindo Champignon. Existe alguma história marcante dos bastidores que você nunca esqueceu?

A música me proporcionou muitos momentos marcantes. Aquele baterista de uma banda de Brasília que só queria batucar não imaginava o quanto a música poderia enriquecer a sua vida.

Tocar em diversos estados, fazer parte de bandas autorais no RJ, DF e SP me proporcionou várias histórias. Tocar na Turma do Didi, na TV Globo, e ver os Trapalhões de perto, que fizeram uma geração de brasileiros felizes.

Ter uma banda com um dos maiores baixistas do Brasil, Champignon, viajar de avião, kombi, passar perrengue e dividir quarto. Morar em uma casa com a sua banda, ver artistas anônimos e famosos frequentando seu estúdio, dividir palco com Andreas Kisser e Nação Zumbi.

Tocar baixo com a banda alemã Stiffy no final de uma turnê no Brasil é muito emocionante.

Existe algum sonho ou palco que você ainda deseja conquistar?

Sonhos sempre são infinitos e nascem a cada dia de vida, rs. E isso me faz ser empolgado para continuar na estrada.

Terminar de gravar todas as minhas músicas autorais e passar as mensagens que acho importantes, que ainda estão na gaveta, me faz continuar trilhando um caminho na música.

A estrada é longa.