
Big Marias · 2026
Hungry Heart
Segundo álbum da banda tocantinense Big Marias mistura guitarras densas, fuzz e explosões de rock alternativo
A Big Marias lançou no dia 28 de agosto Hungry Heart, seu segundo álbum. O power trio tocantinense formado pelas irmãs Sam Cayres (voz e guitarra) e Didia Cayres (bateria), ao lado de Felipe Supernaut (baixo), chega ao novo disco depois da estreia em 2025 com uma sonoridade mais definida e disposta a explorar diferentes intensidades.
Gravado no RockLab Estúdio, em Anápolis (GO), Hungry Heart foi produzido por Gustavo Vázquez e Daniel Mota. O processo de criação, porém, começou em lugares bem diferentes de um estúdio.
Parte das músicas surgiu de composições esquecidas em um antigo iPhone 6 de Sam Cayres. Outras nasceram durante uma imersão artística em Taquaruçu (TO), período em que a banda se dedicou à composição, aos ensaios e à construção da identidade do álbum.
Ao longo de seis faixas, a Big Marias trabalha com contrastes. Guitarras distorcidas e riffs urgentes dividem espaço com mudanças de dinâmica e momentos explosivos. O grunge e o rock alternativo dos anos 1990 aparecem como referências evidentes, com ecos de bandas como Veruca Salt, Hole, L7 e Sonic Youth.
A base do trio ajuda a sustentar essa sonoridade: a bateria de Didia alterna precisão e impacto, o baixo de Felipe surge carregado de fuzz e as guitarras de Sam conduzem as canções entre peso, melodia e ruído.
Mas Hungry Heart não parece interessado apenas em reproduzir uma estética dos anos 1990. O disco usa essas referências como parte de uma linguagem que a Big Marias vem construindo desde o início.
A relação entre os três integrantes também aparece fora da música. Sam, Didia e Felipe participam das diferentes etapas da banda, da direção criativa à produção executiva, mantendo o controle sobre o próprio trabalho em uma cena onde autonomia ainda faz diferença.
No fim, Hungry Heart é menos sobre anunciar uma reinvenção e mais sobre continuar o caminho iniciado pela Big Marias - agora com mais espaço para experimentar, aumentar o volume e explorar o que existe entre a delicadeza e a explosão.
Como resume a própria banda: “a música continua sendo a forma mais bonita de insistir. Mesmo quando o mercado diz que ninguém presta mais atenção.”
